segunda-feira, 30 de abril de 2012

Chrono Trigger


Nos anos 90, haviam duas empresas que lutavam pelo domínio do mercado de J-RPGs: Square e Enix. Ambas produziam as maiores séries da época, Final Fantasy e Dragon Quest, que disputavam a atenção do máximo de jogadores possíveis. Mas em 1995, algo aconteceu, algo que transformou o mundo dos jogos para sempre. Elas se uniram.

Não se uniram como hoje, numa fusão empresarial. Elas se uniram no sentido de seus principais nomes se juntarem para criar um jogo único. Hironobu Sakaguchi, criador de Final Fantasy, Yuji Horii, criador de Dragon Quest, Akira Toriyama, criador de Dragon Ball, além de nomes como Hiroyuki Ito, Masato Kato, Yasunori Mitsuda e Nobuo Uematsu se uniram para formar o Dream Team, e juntos criaram aquele que é considerado o jogo perfeito.

Chrono Trigger foi lançado em 1995 para o SNES e publicado pela SquareSoft. Como eu disse antes, ele é considerado o jogo perfeito, um dos RPG mais bem-feitos de todos, um dos melhores jogos da história, com todos os aspectos recebendo notas máximas nos reviews e conquistando milhões de fãs ao redor do mundo, gerando mais duas sequências.

O futuro se recusou a mudar. Vamos ver como um garoto ruivo, uma princesa fugitiva, uma jovem cientista, um homem-sapo, um robô redondo, uma mulher das cavernas e um mago negro mudaram a históra.


Assim como muitos jogos, Chrono Trigger começa num dia tranquilo. Nosso protagonista é Crono, um jovem de cabelo vermelho que parte para a Feira Milenar, em comemoração aos mil anos da fundação do reino de Guardia. Ele está indo para ver a apresentação da nova invenção de sua melhor amiga Lucca, um teletransportador.

No caminho da apresentação, Crono esbarra em uma garota chamada Marle e faz amizade com ela, a levando junto para a apresentação. Durante a apresentação, ambos servem de cobaia, porém algo dá errado na vez de Marle, e ela é sugada por uma fenda no tempo-espaço, indo parar na Guardia de 400 anos atrás. Crono parte em busca de Marle e luta para restaurar a linha do tempo correta, mas ao retornar ele é perseguido por soldados do reino e foge com Marle e Lucca para o futuro.

Chegando lá, eles descobrem que, em 1999, um ser alienígena chamado Lavos emergiu do centro da Terra e destruiu grande parte do mundo, transformando o planeta numa terra desolada, com poucos recursos naturais e dominada pelas máquinas, onde os sobreviventes fazem o possível para sobreviver, se esforçando para manter a esperança acessa. Ao ver o sofrimento das pessoas, as crianças decidiram usar os portais para viajar pelo tempo e impedir esse evento catastrófico, conhecido como o Dia de Lavos.

Durante suas viagens, eles fazem amizades com seres dos diversos períodos da história, que simpatizaram com a causa dos três. Junto às crianças, estão Frog, um guerreiro da idade média que foi amaldiçoado a uma forma de sapo pelo líder dos monstros, Robo, um robô do futuro que foi salvo por Lucca e começou a se humanizar pelo contato com grupo e Ayla, líder de uma tribo da pré-história que está em guerra com uma raça reptiliana chamada de Reptites. Também é possível recrutar Magus, um mago negro responsável pela maldição de Frog e líder dos monstros na guerra contra os humanos.

Entre os antagonistas estão Ayala, líder dos Reptites na pré-história, cujo principal objetivo é exterminar os humanos e tornar os Reptites a espécie dominante, Rainha Zeal, uma rainha da antiguidade que foi corrompida pelo poder de Lavos ao tentar usar seu poder para fazer seu reino evoluir ainda mais, os Místicos, uma raça de monstros da idade média liderados por Magus que querem invocar Lavos para destruir os humanos e dominar Guardia.

O vilão principal, porém, é Lavos, um parasita extraterrestre que se abrigou no centro da Terra para absorver sua energia e espalhar larvas pelo universo e repetindo o processo indefinidamente, forçando a evolução das formas de vida para poder cultivá-las e se tornar forte no processo. Ele também possui enorme influência nos principais eventos do jogo, como a extinção dos Reptites, a queda do reino de Zeal, a derrota dos Místicos e o Apocalipse, que foi a principal motivação dos heróis partirem para derrotá-lo.

A história do jogo foi aclamada pelos jogadores, com personagens como Robo e Frog se tornando queridos do público, enquanto Magus é considerado um dos vilões mais badasses de todos, graças a seus poderes e sua atitude anti-herói. Lavos não é tão fodão quanto Magus, mas Lavos é muito respeitado, principalmente por sua já citada influência nos eventos do jogo.


O jogo não tem apenas uma boa história, mas tem bons gráficos pra sustentar a história, pois os caras do Dream Team não estavam de brincadeira.

CT possui o mesmo nível de qualidade gráfica de Final Fantasy VI, mas possui uma ambientação mais fantasiosa em comparação ao clima steampunk de VI. Porém, cada época é completamente diferente uma da outra, já que o mundo não parou de mudar através dos tempos.

A pré-história é um paraíso tropical, com enormes florestas e vulcões ainda ativos. A antiguidade, já é um lugar gelado, já que eles estavam passando por uma era glacial, porém como a sociedade se dividiu entre os  usuários de magia e os não-usuários, ambos se desenvolveram de formas diferentes, com os Enlighted Ones (os usuários de magia) vivendo em castelos luxuosos e requintados, enquanto os Earthbound Ones (os não-usuários) vivendo em cavernas simples. A idade média e o presente são bem parecidos entre si, uma típica ambientação medieval de RPGs. O futuro, entretanto, é a época mais diferenciada, pois o mundo se tornou um simples deserto, com domos e fábricas abandonadas e destruídas, onde os habitantes vivem quase como mendigos. E temos também o End of Time que é onde o tempo literalmente acaba, que é habitado por um homem misterioso e o deus da guerra Spekkio, sendo um ambiente simples, lembrando uma alameda escura do século XIX.

Os cenários são fantasticamente bem-construídos, cada um se encaixando perfeitamente em cada época, como os domos do futuro, demonstrando tecnologia avançada mesmo depois de serem destruídos no Dia de Lavos, enquanto que os castelos do presente e da idade média lembram construções medievais. Os castelos do reino de Zeal possuem um estilo muito distinto, lembrando castelos medievais novamente, porém com leves diferença e a pré-história não tem construções, sendo apenas aldeias e cavernas, sem nos esquecermos das florestas vastas. No End of Time, não há quase nada, além de portais pra todos os períodos, uma sala pra Spekkio, uma sala pra Epoch e um poste onde o Velho fica, próximo a um portal para o Dia de Lavos.

Há uso de Mode 7 em certos momentos do jogo, como na corrida de motos no futuro e a primeira viagem da Epoch. Há também o clássico efeito visual da viagem no tempo, na minha opinião, um verdadeiro marco,  pois os efeitos são incríveis e eu realmente nunca vi algo assim. Os efeitos visuais dos ataques também são fantásticos, talvez até mais que os de Final Fantasy VI.

Todos os personagens e monstros foram desenhados por ninguém menos que Akira Toriyama, mangaká lendário e criador de obras como Dragon Ball e Dr. Slump. Dá pra perceber claramente seu estilo de desenho em certos chefes específicos, que são reproduções fiéis de seus desenhos, assim como os sprites dos personagens. Isso acabou sendo um dos fatores de sucesso de jogo, pois ele é reconhecido em todo o mundo, mas não podemos nos esquecer da qualidade também.

A trilha é simplesmente excepcional e fantástica, composta por Yasunori Matsura, que começou sua carreira como compositor nesse jogo e ganhou fama com ele, e Nobuo Uematsu, que não precisa de apresentações. Ela é incrível e envolvente, e fica grudada na sua cabeça, combinando perfeitamente em todas situações. Por exemplo, as músicas do presente é alegre e tranquila enquanto que as músicas do futuro são melancólicas e tristes, lembrando a tragédia que aconteceu. A música que eu destaco é justamente Chrono Trigger, tema principal do jogo, que toca durante os créditos iniciais e em diversos momentos do jogo.


Tenho que admitir que o sistema não é TÃO inovador e tal, mas admito que é muito bem-feito e flui perfeitamente.

Vamos começar pela viagem no tempo. Há duas maneiras de se viajar no tempo. O primeiro a ser apresentar são os Portais, fendas no espaço-tempo supostamente geradas pela máquina de teletransporte de Lucca e que ela achou um jeito de abrí-los à vontade adaptando essa tecnologia. O segundo meio é a Epoch, uma máquina do tempo criada por um dos três ministros de Zeal, Balthasar, no futuro (se quer saber a história toda, jogue) e que foi dada aos protagonistas durante um ponto crítico na história. Ela também ganha a habilidade de voar e que dá acessos a inúmeros sidequests.

E como o tema principal é viagem no tempo, não poderíamos esquecer do fator de futuros alternativos, e com isso, Chrono Trigger não tem menos do que 12 finais! Cada final pode ser gerado dependendo do momento na história em que você derrota Lavos, podendo ter até o final de quando você perde a batalha final.

E pra esse finais se tornarem acessíveis, Chrono Trigger é o primeiro jogo a vir com o recurso New Game+. Basicamente, quando você termina o jogo, você pode recomeçá-lo no nível em que parou, com todos os equipamentos, itens e dinheiro com os quais você terminou o jogo, facilitando infinitamente o trabalho dos jogadores. Até por que não faria sentido ter tantos finais enfrentando o chefe final com um nível menor que 20.

CT é um dos primeiros e poucos jogos a não ter batalhas no world map. Você pode andar e circular pelo mapa e não vai encontrar uma única batalha. As batalhas, em sua minoria, são opcionais. Sim, sua minoria, pois as batalhas opcionais existem na teoria. Mais da metade das batalhas são obrigatórias, tirando os chefes obviamente.

O sistema de batalhas é bem semelhante ao da série Final Fantasy, com o uso de ATB, o Active Time Battle. E assim como em FF VI, há dois modos, o Active e o Wait, onde no modo Wait, o tempo parava quando você está escolhendo um comando, e no modo Active não. Entretanto, os comandos são bem mais simples, se resumindo a atacar, usar técnicas especiais, itens e fugir.

As técnicas merecem um certo destaque. A origem da magia no mundo não é claro, mas isso acabou dividindo o muito, como eu bem disse antes. Porém, após a queda do reino de Zeal, a magia acabou se perdendo e pouquíssimos sabiam usá-la, mas todos ainda tem talento inato para ela. Quando Crono e seus amigos chegarem na End of Time, Spekkio despertou esses talentos nos protagonistas dando a eles a habilidade da mágica, e cada representando um elemento: Crono tem poder do relâmpago, Marle e Frog tem o poder da água, podendo usar magias curativas, Lucca tem o poder do fogo e Magus tem o poder da sombra. Os únicos que não aprendem são Ayla, pois ela nasceu antes do nascimento da magia, Robo, pois ele não é um ser vivo, e Magus, pois ele já é mestre da magia.

Você pode usar técnicas físicas e mágicas, que podem ser ofensivas, defensivas e curativas. Mas CT traz novas formas de técnicas, as combinações. Quando dois ou três personagens, que é o limite do grupo, possuem duas técnicas compatíveis, eles aprendem uma combinação dessas técnicas, que é muito mais forte e útil do que as singulares.


Creio que não há mais dúvidas de por quê todos amam Chrono Trigger. Uma trama envolvente e surpreendente, gráficos fantásticos, música que prende na sua cabeça e uma jogabilidade simples e ao mesmo tempo bem detalhada. Em suma, é indubitavelmente um jogo perfeito.

E agora, voltaremos à programação. Claro que tenho responsabilidades com a faculdade, mas manterem o blog atualizado na medida do possível.

E comecem a ler o blog em que sou o mais novo colaborador, o Almoxarifado Nerd. Nerdearei aqui e lá de agora em diante.

Por hoje é só, pessoal!

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