segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Streets of Rage


E continuamos o mês das pendências com o começo de uma baita trilogia.

Eu não entendo o Complexo de Batman desses personagens, Até entendo a vontade de viver em uma cidade pacífica e tranquila, mas se você não tem uma fortuna, uma mansão enorme, um mordomo altamente fiel e um ajudante mirim, destruir máfias na porrada não é recomendável.

Pena que não avisaram isso a esses três.

Streets of Rage (Bare Knuckle, no Japão) é um beat-em'-up lançado pela Sega em 1991 para o Genesis/Mega Drive. O jogo é o primeiro da trilogia Streets of Rage e fez enorme sucesso, se tornando um dos mais vendidos do console. Além disso, recebeu uma adaptação em quadrinhos escrita por ninguém menos que Mark Miller, autor de Kick-Ass, The Authority e Ultimate X-Men. Acho que já deu pra sentir o nível.

Preparem-se, meus caros, pois é hora de enfrentar as RUAS DA FÚRIA!!


O jogo se passa num cidade sem nome, que um dia foi pacífica e tranquila até cair nas mãos de um sindicato do crime, liderado pelo terrível Mr. X. Em pouco tempo, eles alastraram sua influência pela cidade, absorvendo inclusive o próprio governo e as forças policiais.

Três policiais, porém, não foram contaminados pela corrupção e tentaram diversas vezes montar uma força policial para combater o sindicato, mas sempre foram impedidos por seus superiores, que foram comprados pela organização ou tinham medo demais para contra-atacar. Cansados, os três resolveram largar mão da polícia e saíram da corporação.

Agora, Adam Hunter, Axel Stone e Blaze Fielding, armados somente de suas habilidades de luta e senso de justiça, eles estão decididos a limpar o crime da cidade, para que os cidadãos possam dormir em paza e não precisem mais andar pelas RUAS DA FÚRIA!!

Os três são auxiliados pelo Back-Up Enforcer, o último policial decente na força, que se aliou secretamente aos três e providencia suporte durante o ataque especial (falarei sobre isso lá na frente), além de aparecer durante os créditos. O principal antagonista é o Mr. X, cuja verdadeira identidade é desconhecida, sendo ele um típico chefe do crime em games, maligno, inescrupuloso e inteligente, tanto que no fim do jogo, ele vai dar o jogador a chance de mudar tudo... Os capangas são bem clássicos, não vão muito além das motivações de poder, dinheiro e sacanagem sem fim.

Vamos ver agora se as RUAS DE FÚRIA fazem jus às arrecadações fiscais.


E devo dizer, o imposto é bem investido.

Não sei se deixo transparecer, mas prefiro a capacidade gráfica do SNES ao invés da do Mega Drive. Entretanto, porém, todavia, eu tenho uma afinidade nostálgica com o Mega Drive e devo dizer, Streets of Rage se sai melhor do que a maioria.

A cidade é extasiante. Assim como em Final Fight, você consegue ver claramente que a cidade está dominada pelo crime em cada banco. Sabe Detroid no filme do Robocop? É exatamente como aquilo, a ideia desse tipo de enredo é mostrar como a cidade está decaída.

Os personagens são bem distintos um dos outros. Axel é mais musculoso que Adam, que por sua vez, é levemente mais alto e magro, porém ainda malhado, e Blaze é uma mulher meio musculosa, mas sem ser bombada, apenas mostrando que rola uma malhação legal. Os capangas são um pouco diferenciados e vem nas mais diversas formas, incluindo mulheres sado-masoquistas, malabaristas piromaníacos, lutadores profissionais e até mesmo robôs! E entre os chefes, estão incluídos versões piratas do Capitão Bumerangue e do Wolverine, um chinês estereotipado cuspidor de fogo e os melhores lutadores profissionais que o dinheiro sujo pode comprar.

Os efeitos dos ataques são muito bem executados e a animação é excelente. Claro que há a eventual chance da tela onde você está se tornar uma zona, mas felizmente, não há uma sobrecarga de inimigos e a luta é justa, além de você poder curtir cada detalhe. E ao menos, não há nenhuma "dublagem" clássica do Mega Drive no jogo, o que já é um alívio aos ouvidos.

A música é simplesmente fantástica. É empolgante, combina com a ação e ainda ajuda na ambientação. O tema principal certamente vai grudar na sua cabeça e você vai querer baixar pra ouvir sempre. É considerada uma das melhores trilhas da história, chegando ao ponto de ser chamada à frente de seu tempo devido ao seu uso de música house e hip hop.

Mas aposto que você quer saber: como andar pelas RUAS DA FÚRIA?


Se você já conhece meu trabalho (ou o universo dos games) a um tempo. Você já sabe como funciona. Sua missão é limpar as ruas um trecho de cada vez, surrando o máximo de bandidos que puder encontrar pelo caminho. São 8 rounds (como são chamadas as fases) e em todos, menos um, é necessário derrotar um chefe de fase para concluí-la. 

Cada um dos personagens luta do seu jeito: Axel é equilibrado, mas não tem muita agilidade, enquanto Adam é pesado e bate forte e Blaze é rápida no pulo mas precisa trabalhar um pouco mais pra derrubar alguém. Além dos seus próprios punhos, existem armas espalhadas por todas as fases, que garantem aquele dano extra na hora do aperto. Caso sua barra de vida esteja baixa, você pode achar comida espalhada pelo cenário, e se a tela estiver cheia demais, você pode contar com a ajuda de seus colegas policias, que chegam atirando e quebrando tudo com uma viatura. Só dá pra invocá-los uma vez a cada round ou vida, mas também há carrinhos de polícia escondidos que podem virar especiais extras.

Entretanto, uma coisa que se pode dizer de Mr. X é que ele não é um pouco acanhado. Antes da batalha final, ele oferece ao protagonista que você escolheu a oportunidade de ser o braço-direito dele na organização criminosa. E se você estiver jogando no modo co-op e um de vocês escolher "sim", não rola apenas uma luta até a morte, mas o sobrevivente pode se tornar o novo chefe do mal no pior final possível.

Levando em conta os problemas da polícia com corrupção, achei ousado abrirem essa possibilidade.


Streets of Rage é um clássico, no mais puro sentido da palavra. É uma pérola preciosa da biblioteca do Mega Drive, e seu sucesso rendeu mais duas sequências, que continuam a contar a história da luta dessas bravas pessoas da lei contra Mr. X e seus capangas malucos. Posso falar com tranquilidade que se você quiser um jogo de qualidade pra matar tempo nessa época de férias, SoR é a melhor pedida.

Mas a luta contra o cirme é uma luta sem fim. E vilão de videogame é que nem praga: não importa o que você faça, sempre dá um jeito de voltar. As ruas dessa cidade não conhecerão calma tão cedo, e nossos amigos ainda tem muitos vilões para surrar na continuação.

Por hoje é só, pessoal!