segunda-feira, 4 de julho de 2011

Yo! Noid


Muito bem, vocês escolheram. Após inúmeros votos (na verdade, um único voto), vou falar desse jogo-propaganda do NES. Apesar de já ter ouvido falar muito desse jogo, só agora tive a chance de desbravá-lo.

E sim, esse era um dos jogos de merda que eu pretendia falar, e como o único voto foi pra ele, nada mais justo que dissertar sobre ele.

Yo! Noid foi um advergame de plataforma lançado pela Capcom em 1990 para o NES e protagonizava a mascote da rede de pizzaria Domino's Pizza, Noid. Pra quem não sabe, advergame vem da mistura das palavras "advertising" (propraganda) e game, ou seja, advergame é um jogo que tem ligação direta e serve como uma forma de propaganda de determinada empresa. Existem dezenas deles, então ainda vou falar de muitos jogos desse estilo.

Então, peguem seus pula-pulas e me sigam.


Antes de mais nada, vamos falar do personagem.


Noid foi criado como mascote da rede de pizzarias Domino's Pizza no início dos anos 80. Ele protagonizou diversos comerciais em Stop-Motion, aqueles feitos de massinha, como "A Noiva-Cadáver" e "O Estranho Mundo de Jack". O engraçado é que, ao invés de falar algo bom das pizzas, ele sempre tentava destruí-las.


É a primeira vez que eu vejo uma mascote que tenta destruir os produtos da própria empresa. Acho que já podemos considerar isso o primeiro sinal.


A história do jogo é básica. Um vilão chamado Mr. Green (que é a cópia exata do Noid, só que verde) juntos com seus aliados (que também são cópias coloridas do Noid, o que indica um pouco de má vontade nessa parte) e capangas, está causando o maior caos em Nova Iorque. Então cabe a você, Noid, parar seus planos malignos e salvar o dia.


Só que o cara não tem preparação nem ânimo nenhum, já que a única arma que ele leva é um ioiô, que por sinal é muito fraco. Além do quê, nas propagandas, ele é tratado com um vilão. Qual seria o interesse dele em salvar a cidade? Será que tem algum interesse escuso por trás? Acho que essa dúvida pode ser considerada o segundo sinal.


Agora, uma trívia rápida: Yo! Noid é a localização de um jogo japonês chamado Kamen no Ninja Hanamaru. A Capcom só mudou um pouco a história e o visual dele e trouxe pro ocidente. Acho que eles pensavam que as crianças preferiam mascotes de pizzaria do que ninjas.


WTF?




Como esperado da Capcom, o jogo é graficamente impressionante. Sério, pegue os jogos licenciados dela pro NES e você verá como eles são incríveis.


Os gráficos são bem coloridos. Eles não são muito detalhistas e bem-desenhados, só que acho que isso não combinaria com o jogo.


Os personagens não são lá criativos, mas são bem desenhados e animados. O Noid parece bem abobado e os inimigos são caricatos e cartunescos. Isso sem falar nos obstáculos, mas eles são típicos dos jogos de plataforma.


As fases são únicas. Há uma grande variação de cenários aqui. O jogo possui 14 estágios, porém, eles não têm quase nada em comum. Se você pegou a manha de uma fase do jogo, esqueça, pois o próximo será bem diferente. As fases se passam no circo, num ringue de patinação, nos altos de prédios, enfim, você não encontrará repetição aqui. Além do estilo plataforma, há as fases de skate e a de girocóptero.


A trilha sonora é divertida. Ela passa bem o clima de alegria e cor do jogo. Algumas músicas podem grudar na sua cabeça, apesar de que não grudou nenhuma. Mas elas são bem grudentas, então prepare-se para ouvi-la na sua mente muitas vezes.


Os efeitos sonoros são inexpressivos, típicos do NES, então eles não tem nada demais.


Você deve estar pensando: "Se o jogo é tão bonito, colorido e variado, por que você falou que era um jogo de merda?"


Simples, pois os programadores cometeram o pior erro possível em um jogo.




Eles elevaram a dificuldade a enésima potência!!!


Tá bom, posso estar exagerando, mas Yo! Noid é um daqueles jogos difíceis, mas não aquele difícil empolgante e sim o frustante.


Pra começar, ele não possui uma barra de energia, ou seja, um único golpe e o velhote fantasiado de coelho vai cumprimentar o Puro-Osso pessoalmente.


Eu sei que inúmeros jogos também funcionam assim, como Contra, só que nele, há uma enorme variedade de power-ups, o que pode te salvar muitas vezes. Aqui, não rola isso.


A única arma que o Noid possui durante todo o jogo é seu ioiô. Ele não pode equipar mais nada nem melhorar o que ele já tem, o que dificulta muito. O alcance dela piora tudo, já que é preciso estar próximo do inimigo para acertá-lo. E isso não é muito bom contra inimigos que precisam de mais de um hit para morrer.


Além do ioiô, você pode usar uma daquelas magias varre-tela. Existem vários tipos, como a de gelo e a de raio. Você pode usá-las ao recolher pergaminhos pela fase.


Como eu disse, há vários tipos de fase aqui, como a do gelo. Vários jogos da época vinham como uma fase dessas, e todas eram difíceis, só que Yo! Noid leva essa dificuldade a outro nível. Você escorrega muito mais que o normal aqui e é muito difícil você controlar Noid. Junte isso ao excesso de abismos da fase e você terá a melhor maneira de estragar o dia de alguém.


A fase de skate então, é tão difíceis que perdem todo o sentido. Você precisa acertar os inimigos em cima da cabeça precisamente, senão você morre. E como há muitos inimigos, você precisa ir bem devagar, o que tira toda a graça da fase.


O que me lembra, é necessário ter reflexos felinos nesse jogo, principalmente nas plataformas. Quando você pula pra uma plataforma, você precisa cair bem no centro dela, se você pousar nas beiradas, você cai e morre. Juro, fiquei com muita raiva desse jogo de tanto morrer de bobeira.


E pra encerrar, as batalhas contra os chefes.

Ao invés de batalhas normais, em que você tem que analisar o chefe e pegar seu ponto fraco, como em um jogo normal, aqui você tem uma competição de comer pizzas.

Você e seu oponente recebem cartas, cada uma com um número. Cada um escolhe uma delas, o valor da menor é subtraído do da maior, que então se torna pizzas para serem comidas pelo vencedor, que é aquele que joga a maior carta.

Parece bem simples e até mesmo divertido, mas conforme você avança no game, seu adversário começa a receber cartas muito melhores que a sua. Você pode recolher durante as fases vários itens que funcionam como auxílios, como duplicadores e tal, mas o jogo se a partida é tão injusta que ganhar se torna uma questão de sorte. Isso sem falar que, se você demorar demais a fazer sua jogada, você tem que recomeçar a FASE INTEIRA!!!

É brincadeira, viu?


Yo! Noid teria tudo pra ser um clássico dos anos 80, um jogo com grande potencial pra garantir horas de diversão, mas sua dificuldade desumana estragou tudo, o tornando um daqueles clássicos que ninguém quer jogar. Mas, por incrível que pareça, ele ainda aparece em algumas listas, sendo considerado um dos melhores jogos do NES, atrás apenas de jogos como The Legend of Zelda (?) e Super Mario Bros.(???).

E semana que vem, falarei do Game Boy de novo! Só que dessa vez, será do original, de tela verde e preta. E o jogo deixará vocês surpresos, eu garanto.

Por hoje é só, pessoal!

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