quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sweet Home


Já deu pra sentir que a coisa vai ficar pesada, né?

Mas você deve estar mesmo é se perguntando o que esse jogo estranho tem a ver com Resident Evil. Pois bem, Resident Evil foi planejado como um remake desse jogo. E que jogo seria esse afinal?

Sweet Home foi um RPG lançado pela Capcom em 1989 para o Famicon, a versão japonesa do NES, ao mesmo tempo de um filme de terror japonês do mesmo nome, com a mesma história. É considerado o percursor no estilo de Survival Horror, estilo de jogo que te põe numa ambientação de terror psicólogico, como se você estivesse em um filme desse estilo. Resident Evil também é um desses jogos.

Resident Evil estava sendo inicialmente planejado como um remake de Sweet Home. Mesmo não tendo acabado assim, possui vários elementos do jogo, como a ambientação numa mansão, os quebra-cabeças, o destaque para a sobrevivência e até mesmo a tela das portas se abrindo. O criador da série, Shinji Mikami, já admitiu que Sweet Home foi uma de suas maiores inspirações na hora de criar o primeiro Resident Evil.

Mas afinal de contas, do que se trata esse jogo? Vamos entrar na mansão para saber.


A mansão em questão é a Mansão Mamiya. Ela pertenceu a Ichirou Mamiya, um famoso pintor, e sua esposa, Lady Mamiya e seu filho, até que um dia, uma terrível tragédia se abateu sobre esse lar...

O filho do casal caiu na fornalha da mansão e queimou até a morte. A dor foi tanta que Lady Mamiya enlouqueceu, sequestrou diversas crianças e as jogou na fornalha para que seu filho tivesse "amiguinhos" na outra vida. Num último ato de insanidade, ela se jogou na fornalha e morreu também. Depois disso, seu marido Ichirou desapareceu e sua mansão, junto com suas obras, foram esquecidas.

Mas não por muito tempo, pois senão, não teríamos uma história. A história se volta para um grupo de amantes da arte, que decidiram adentrar a Mansão Mamiya para fotografar e restaurar as obras de Ichirou. O grupo formado por Kazuo Hoshino, sua filha Emi, o cameraman Ryou Taguchi, a enfermeira Akiko Hayakawa e a restauradora de arte Asuka nem imaginavam o que os esperavam lá dentro.

Lady Mamiya voltou para este mundo como um fantasma. E como ela morreu louca, seu fantasma é mais louco ainda, transformando a mansão numa versão portátil do inferno. Agora, eles precisam dar um jeito de escapar, antes que a fantasma Mamiya os mate.

Como deu pra perceber, o enredo era bem pesado para os padrões da época, deixando claro por que Sweet Home nunca veio para o nosso lado do mundo, levando em conta a década em questão. Felizmente, há muitos desocupados pelo mundo, que trataram de achar a ROM do jogo e traduzi-la para que outros desocupados pudessem jogar.

Deus os abençoe.


Um dos maiores destaques de Sweet Home é que ela ambienta o jogador perfeitamente na situação dos personagens.

Veja bem, um dos conceitos de Survival Horror é fazer você se sentir como se estivesse em um filme de terror, e para cumprir essa tarefa, um jogo desse estilo se utiliza de todos os recursos possíveis. no caso, seria os gráficos, a trilha sonora, a história, tudo criado para garantir sua máxima inserção e medo também. Esse jogo é um daqueles que cumpriu a tarefa direito.

A palheta de cores aqui é pouco variada, se limitando a tons escuros, sem vida e até sombrios, mostrando que não há nenhum sinal de luz naquele lugar. A tragédia e as assombrações afundaram a mansão nas trevas, então não espere nenhum sinal de esperança ali.

A animação das portas é um dos destaques nessa parte gráfica, pois não havia algo semelhante na época. Toda vez que você abria um cômodo, lá estava a cena de animação da porta. É como se fosse que nem aquelas telas de loading, típica dos jogos em CDs. Mas ela só se tornou icônica mesmo com Resident Evil.

Os personagens também não são muito coloridos, mas seus sprites não merecem tanto destaque, pois são comuns para os RPGs de 8-bits. Você só vê os personagens com mais destaque nas cenas em que eles aparecem mortos, cheios de sangue em volta...

É um game de terror, o que você esperava?

Não podemos nos esquecer dos monstros. Assim como em Phantasy Star, você tem uma visão em primeira pessoa deles. Então, os monstros possuem um design impressionante e assustador. Se sua cabeça é uma daquelas mais fraquinhas, não duvido que você tenha pesadelos com os monstros desse jogo. Eles confirmam a ideia de que ele lugar é uma filial do inferno, e que você tem que sair daí o mais rápido possível.

Mas a cereja do bolo é a parte sonora., indubitavelmente uma das mais legais e sinistras do Famicom/NES. Ela combina perfeitamente com o jogo, passando o clima sério e amedrontador da mansão. Ela é lenta e calma, mas ao mesmo tempo, muito sinistra e bem-executada. Seu "tour" pela residência se torna ainda mais pavoroso com essa trilha de fundo. Os efeitos sonoros também são bons. Mas ouvir choros de crianças no NES não é uma das melhores experiências.


Sweet Home é um Survival Horror com elementos de RPG. Só que com umas adições a mais.

Cada personagem é independente. Você pode progredir com um personagem de cada vez, mas é mais recomendado que você forme grupos. Como eles não fixos, você pode montar os grupos que quiser. Porém, você só pode ter três personagens em cada grupo. Sendo que são cinco personagens, há várias combinações possíveis, o que traz um pouco de estratégia ao jogo.

Cada personagem pode carregar itens e equipamentos durante o jogo, como qualquer outro RPG. Entretanto, eles também uma ferramenta própria, afinal, eles não iriam pra uma mansão abandonada com a cara e a coragem.

Kazuo possui uma tocha, que pode ser usada para iluminar cômodos escuros e atacar monstros, Emi possui uma chave, que serve para abrir as portas trancadas, Asuka possui um aspirador, que pode ser usado para limpar certas áreas da mansão e permitir o acesso a elas, Akiko possui um kit de primeiros socorros, que pode ser usado para curar os personagens e Ryou possui uma câmera, que serve para tirar fotos das obras de Ichirou, que contém pistas para ajudar a compreender o que aconteceu e também para a resolução de diversos quebra-cabeças.

Quebra-cabeças são importantes aqui, eles são fundamentais para o progresso. Eles não farão você entrar em desespero, mas como todo bom quebra-cabeça, você queimará alguns neurônios.

Agora, as batalhas. Como todo bom RPG, batalhas também são uma constante. Pra variar, os encontros são aleatórios, ou seja, quando você menos esperar, vai dar de cara com algum monstro.
As opções são típicas. Com Attack, você ataca normalmente. A opção Tool, no caso, são os itens. Até suas ferramentas únicas, podem ser usadas na batalha. Como a magia não existe nesse mundo, ela é substituída pela opção Pray, que quer dizer "rezar" em inglês. Entretanto, ela funciona de maneira semelhante a magias, pois há um limite na quantidade de "pray points" que podem ser usados. Você também pode fugir das batalhas com Run, porém, se você estiver em grupo, quem foge é só o personagem pra qual você escolheu essa opção, enquanto os outros continuam na batalha. E também há a opção Call, que serve pra chamar outros personagens que não estão no seu grupo.

Apesar desses incrementos, Sweet home é um RPG bem típico até. Só há uma pequena diferença: personagens mortos não podem ser ressuscitados, afinal, o jogo se passa no mundo real. Se um deles morre, você também perde sua ferramenta única, mas outros itens têm a mesma função, então não há problema. Por causa disso, Sweet Home tem cinco finais diferentes, dependendo de quantos sobreviverem.


Sweet Home não tem nada de doce, mas é um jogo fantástico. Ele merece mérito por ser um dos primeiros jogos a aterrorizar de verdade, com sua ambientação e sua história incrível. Chega até a ser surpresa ele não ser um jogo ruim sendo baseado filme.

Ou será que foi o contrário? Até hoje não se tem certeza se o jogo foi baseado no filme ou se o filme foi baseado no jogo, pois foram lançados simultaneamente. O trailer do filme, inclusive, traz cenas do jogo, e um dos produtores do jogo também fez parte da produção do filme.

Enfim, Sweet Home é bom e deve ser jogado.

E semana que vem, pra continuar nesse clima sinistro, irei mostrar por que nunca é uma boa ideia desafiar a morte. Literalmente.

Por hoje é só, pessoal!

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